segunda-feira, 29 de outubro de 2007

A um passo do Ateísmo


É de se admirar mas é fato: ainda existem pessoas que não acreditam na existência de dinossauros! E não são poucas! E, também, não é pelo fato de todas elas se locomoverem à pé ou de canoa, bicicleta, carroça ou mesmo no lombo de animais como cavalo, jumento ou camelo, não! A grande maioria (representada pelas camadas mais baixas), apesar de não ter seu próprio veículo motorizado, faz uso corriqueiro de meios de transporte de massa (ônibus e trem) sem ter o mínimo conhecimento de que a energia que o impulsiona advém de restos de uma fauna e flora há muito tempo (no mínimo, uns meros 30.000.000 de anos) já extinta. Sabem apenas que a gasolina e o óleo diesel vem do petróleo e quase nada a mais.
A questão é: existe algum interesse escuso por parte da classe dominante em omitir ou, no mínimo, desincentivar a divulgação de tal conhecimento? Da mesma forma que o conhecimento das idéias marxistas poderiam incutir, no povo, ideais igualitários, o mesmo poderia acontecer nesse caso, sendo que por um outro caminho bem mais longo mas que chega e não deixa pegadas pra voltar... É que, na realidade, a burguesia tem temor extremo, ódio absurdo, paranóia desenfreada a tudo que condiz com a diminuição de suas riquezas. Tudo que possa vir a ameaçar tais interesses é, de súbito, desestimulado ou castrado da forma mais vil que possa existir.
As idéias comunistas muito têm de cristãs e vice-versa. Ambas caminham de mãos dadas por uma distância razoavelmente considerável. Decorre que o comunista, para satisfazer seu intento, só tem uma maneira: a da revolução. Daí é que advém, como forma peculiar de um típico comunista, a índole revolucionária, a aversão às injustiças sociais, o afã pela liberdade, justiça e igualdade entre os povos. Um mundo sem fronteiras; sem a exploração desenfreada em busca do lucro (mais valia); sem a superprodução de supérfluos a poluir o céu e nossa Nave Mãe; sem milhões de crianças paupérrimas, doentes, agonizando de fome e sede enquanto outras (sem culpa alguma) esbanjam obesidade mórbida digna de tratamento médico, etc.
Por muitas destas razões, forma-se na cabeça de um cristão recém-comunizado, um embate de titãs a se digladiarem sem ainda saberem o porquê da luta. Crepitam os neurônios de tantas dúvidas. Noções de moral são abaladas em seu alicerce; cambaleia ele entre o ´sou mas não sou`; titubeia ao se achar ´que é` diante das ameaças infernais que naturalmente se lhe impõem; vacila se se ajoelha ou não, se pede ajuda ou não, se agradece ou não, até se se persigna ou não; se duvida ou não; se questiona ou não; se é ateu ou não! É, de fato, um ´Deus nos acuda`...
É nessa perspectiva do ser ou não ser que se inicia, que se começa a eclodir no íntimo daquele que não aceita nada sem questionar, a maior de todas as diferenças entre a espécie humana e todas as outras: a Razão.
Tal é a diferença, portanto, do comunista para o cristão. O primeiro usa a razão, o outro, só a fé. Ambos, teoricamente, têm anseios idênticos em prol dos menos favorecidos, pela paz e justiça, etc... mas quando toca na palavra ´Deus`, cada um segue por caminhos opostos. Óbvio que há as exceções mas tudo é uma questão de tempo (e porque não dizer, de senso).

domingo, 28 de outubro de 2007

A Bíblia de um outro ângulo que não o da fé.

“Era madrugada... estrelas ainda fulguravam num céu desenevoado. O iminente dia já se anunciava em cantos do passaredo. Pouco a pouco muitas delas acenavam, cintilando cada vez menos. Esbatia-se a azulada luz que, há pouco, em Lua ausente, fazia-se presente, rumando-nos por caminhos afora. Mas há um consolo, há sim. Elas não morrem, não se apagam, nem se vão a canto algum para sempre... apenas são embevecidas e camufladas no manto azul do céu diurno, entintado pelo ar. O Sol, irmão que elas têm, albino decerto e tão distante, deixam-nas adormecer após suave labuta. Teima ainda, meio dissimulada, uma delas em luzir. Distinta e de um brilhar constante, renitente feito o tempo... é a d´Alva. E não se demora muito, pois é já aurora e já é hora de dormir.”

Este escrito foi extraído de um pergaminho de autoria desconhecida datado do séc. IV d.C. encontrado próximo ao monte Sinai numa urna no fundo de uma caverna. Àquela época, muitos nômades cruzavam os desertos e costumavam esconder suas relíquias nelas.

Observa-se que tal trecho poético jamais poderia ter sido escrito em tempos bíblicos. Retifique-se, de antemão, que o parágrafo anterior é mentiroso (em tom jocoso, é claro) pois foi escrito por mim, com o intuito apenas de despertar o senso crítico em outrem. Ele nos reserva informações que só há bem pouco tempo viriam (e vieram) à tona. As descobertas ocorridas dependeram não só do olhar humano ´a olho nu` mas de aparelhos que somente a tecnologia podia proporcionar.
É portanto, de bom alvitre, que aquele que ler a bíblia tenha uma certa amplitude de parâmetro ao analisá-la. Dizer que tudo o que foi escrito no Pentateuco por Moisés foi, em absoluto, revelado por Deus é de uma incongruência dantesca para com a realidade racional. Não se vê nada que Deus tenha falado a Moisés que indique uma revelação de Quem sabe tudo. Moisés bem que poderia comentar algo, que no futuro os cientistas dissessem ´Como é que ele sabia disso`? Dessa forma verificaríamos algo de incomum, fenomenal e divino. Mas não é o que acontece na prática... somente se nota uma criatividade humana no desenrolar dos fatos, nada além. Imagine se Moisés tecesse algum comentário (sem ambiguidades) sobre a forma redonda da terra; ou que o luzeiro menor (a Lua) refletia ou recebia luz do luzeiro maior (o Sol); ou que o betume,* que foi usado para calafetar a arca de Noé, era graças aos grandes animais e/ou florestas que bem antes de Deus criar o homem, viveram cá na terra e após terem morridos (taí mais uma deixa pro Moisés provar a tal ´revelação`: morreram como, de que e quando?), se transformaram nessa gosma preta e pegajosa; ou que a estrela d´Alva não era bem uma estrela mas sim um planeta. Difícil ou impossível? Entendeu agora o que é uma revelação divina? Todos os cientistas seriam unânimes em dizer que há Algo bem mais além que nossa racionalidade. Sem dúvida alguma, se Moisés fizesse uma referência como essa última, eu passaria o resto de minha vida andando de joelhos.

*Betume: Quím. Substância sólida, negra, com fratura concoidal, originada possivelmente de transformação do petróleo... (dicionário Aurélio). Era fácil de se obter pois aflorava na terra feito pequenas poças (no filme King Kong se vê algo semelhante). A região em questão deve ser a Mesopotâmia, hoje Iraque (mais uma deixa!: ´... e nessa terra, disse Deus a Moisés, haverá muitas guerras por causa dele - o betume).

O Ateísmo não é o que diz a maioria...


Há uma enorme confusão quanto à idéia de ser ateu. Para muitos, o termo indica, além do seu sentido real, uma sensação pejorativa de maldade sempre vigente. Apesar de várias pessoas ilustres, reconhecidamente atéias, terem se manifestado em prol da paz mundial e contrárias às injustiças sociais e raciais, como também à fome no Terceiro Mundo, não foi suficiente para obliterar tamanha falácia. O próprio Carlitos em O Grande Ditador de Charlie Chaplin fez menção a algo tão sublime que por si só já seria suficiente para desbancar tal rótulo acerca do sentido da palavra em questão.
Quantas e quantas vezes, mais e mais letras de músicas são traduzidas para outras línguas (às vezes, quase que parodiadas) e, no entanto, quando sua mensagem descamba para o lado religioso em tons de crítica, vê-se logo surgir, como forma de censura, um verdadeiro desprezo pela mensagem que encerra. Uma que deveria merecer total relevância seria o que nos diz John Lennon em sua música Imagine. Ele, como líder do grupo The Beatles, a banda mais famosa do planeta, compôs sua célebre canção que contagiou bilhões de pessoas em todos os cantos do mundo por ter um arranjo maravilhoso, uma voz insubstituível e uma melodia digna de ser uma maravilha da natureza. Até então seria normal o respaldo geral, todavia, no que diz respeito à letra, há aqueles que torcem o nariz na tentativa de desmerecer o aspecto principal de tão famosa obra prima. Toda essa celeuma silenciosa se dá pelo simples fato de o autor nos pedir para que imaginemos um mundo melhor... onde reine a paz e a igualdade entre os povos. Um lugar que não haja fronteiras, diferenças, ódio (até aqui, o que Jesus pregou) e nem religião, também... Pronto!!! Até então, nada a dizer contra, mas ao se tratar a fé como algo desnecessário, foi o suficiente para que se criasse uma muralha no sentido de abafar a divulgação de tal letra permeada de´idéias subversivas e heréticas`.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Deus: esse Cara não existe...

Às vezes, fico a me perguntar por que é que se discute tanto sobre a existência Dele... Na verdade, o que mais importa é se Ele influencia positivamente em nossas vidas ou seja, é a influência que deve ser observada. Caso se observe, concluímos, de pronto, que Ele é real mesmo que tal influência seja negativa (que é o menos esperado). Se mesmo que nenhum tipo de influência (positiva ou negativa) se tornar evidente, mesmo assim não poderemos concluir que Ele não exista. Poder-se-á sim afirmar que tal ser tende mais ao inoperante que ao inexistente.