domingo, 28 de outubro de 2007

A Bíblia de um outro ângulo que não o da fé.

“Era madrugada... estrelas ainda fulguravam num céu desenevoado. O iminente dia já se anunciava em cantos do passaredo. Pouco a pouco muitas delas acenavam, cintilando cada vez menos. Esbatia-se a azulada luz que, há pouco, em Lua ausente, fazia-se presente, rumando-nos por caminhos afora. Mas há um consolo, há sim. Elas não morrem, não se apagam, nem se vão a canto algum para sempre... apenas são embevecidas e camufladas no manto azul do céu diurno, entintado pelo ar. O Sol, irmão que elas têm, albino decerto e tão distante, deixam-nas adormecer após suave labuta. Teima ainda, meio dissimulada, uma delas em luzir. Distinta e de um brilhar constante, renitente feito o tempo... é a d´Alva. E não se demora muito, pois é já aurora e já é hora de dormir.”

Este escrito foi extraído de um pergaminho de autoria desconhecida datado do séc. IV d.C. encontrado próximo ao monte Sinai numa urna no fundo de uma caverna. Àquela época, muitos nômades cruzavam os desertos e costumavam esconder suas relíquias nelas.

Observa-se que tal trecho poético jamais poderia ter sido escrito em tempos bíblicos. Retifique-se, de antemão, que o parágrafo anterior é mentiroso (em tom jocoso, é claro) pois foi escrito por mim, com o intuito apenas de despertar o senso crítico em outrem. Ele nos reserva informações que só há bem pouco tempo viriam (e vieram) à tona. As descobertas ocorridas dependeram não só do olhar humano ´a olho nu` mas de aparelhos que somente a tecnologia podia proporcionar.
É portanto, de bom alvitre, que aquele que ler a bíblia tenha uma certa amplitude de parâmetro ao analisá-la. Dizer que tudo o que foi escrito no Pentateuco por Moisés foi, em absoluto, revelado por Deus é de uma incongruência dantesca para com a realidade racional. Não se vê nada que Deus tenha falado a Moisés que indique uma revelação de Quem sabe tudo. Moisés bem que poderia comentar algo, que no futuro os cientistas dissessem ´Como é que ele sabia disso`? Dessa forma verificaríamos algo de incomum, fenomenal e divino. Mas não é o que acontece na prática... somente se nota uma criatividade humana no desenrolar dos fatos, nada além. Imagine se Moisés tecesse algum comentário (sem ambiguidades) sobre a forma redonda da terra; ou que o luzeiro menor (a Lua) refletia ou recebia luz do luzeiro maior (o Sol); ou que o betume,* que foi usado para calafetar a arca de Noé, era graças aos grandes animais e/ou florestas que bem antes de Deus criar o homem, viveram cá na terra e após terem morridos (taí mais uma deixa pro Moisés provar a tal ´revelação`: morreram como, de que e quando?), se transformaram nessa gosma preta e pegajosa; ou que a estrela d´Alva não era bem uma estrela mas sim um planeta. Difícil ou impossível? Entendeu agora o que é uma revelação divina? Todos os cientistas seriam unânimes em dizer que há Algo bem mais além que nossa racionalidade. Sem dúvida alguma, se Moisés fizesse uma referência como essa última, eu passaria o resto de minha vida andando de joelhos.

*Betume: Quím. Substância sólida, negra, com fratura concoidal, originada possivelmente de transformação do petróleo... (dicionário Aurélio). Era fácil de se obter pois aflorava na terra feito pequenas poças (no filme King Kong se vê algo semelhante). A região em questão deve ser a Mesopotâmia, hoje Iraque (mais uma deixa!: ´... e nessa terra, disse Deus a Moisés, haverá muitas guerras por causa dele - o betume).

Nenhum comentário: